terça-feira, 3 de abril de 2018

BREJO SÃO CAETANO (MANGA, MG) SEDE DA PRIMEIRA MATRIZ DE SANTO ANTÔNIO DA MANGA


(Prof. Mestre Paulo Robério F. Silva**) O Sertão dos currais do rio São Francisco, ou seja, o trecho médio do Velho Chico próximo, ao sul, aos rios Verde e Carinhanha foi o berço da ocupação colonial do que mais tarde viria a ser Minas Gerais. Um dos primeiros núcleos habitacionais foi o arraial de São Caetano do Japoré, atualmente Brejo São Caetano no município de Manga. Junto com a Tabua do potentado Manuel Nunes Viana, do Arraial de Matias Cardoso (saiba mais), constituíam os primeiros núcleos habitacionais dos colonizadores com população sedentária.

Em 1707, o português Atanásio de Cerqueira Brandão, casado com Catarina de Siqueira e Mendonça, irmã da esposa de Matias Cardoso de Almeida, recebeu uma sesmaria em Brejo Japoré (São Caetano do Japoré), então pertencente à freguesia de Rio Grande do Sul, Capitania de Pernambuco. Rapidamente a localidade se desenvolveu, tornando-se um dos principais núcleos habitacionais desta vasta região nas primeiras décadas do século XVIII.

A importância do lugar se revelou também ao ter se tornado sede da primeira matriz da Comarca Eclesiástica da Manga, que tinha ainda Olinda (sede), Ceará e Alagoas. Por determinação de D. Manuel Álvares da Costa, o 5º bispo da Diocese de Olinda, foi criada a Freguesia da Manga em São Caetano do Japoré, tendo orago, ou seja, o santo padroeiro, Santo Antônio.

O primeiro vigário foi Manuel Rodrigues Neto, nomeado, conforme alvará de 8 e abril de 1728, pelo rei de Portugal, D. João V. O segundo vigário foi o português, Antônio Mendes Santiago, que mais tarde se envolveria com a Sedição do São Francisco ocorrida em 1736.

Como as freguesias (paróquias) eram móveis, o padre Santiago, depois de um certo tempo no São Caetano do Japoré, transferiu a sua sede para Brejo do Salgado (Januária); pouco depois fez outra mudança, desta feita para São Romão; e, por fim, se fixou em Paracatu.


* Em breve você conhecerá em detalhes esta e outras incríveis histórias do Sertão dos currais do rio São Francisco (Norte de Minas) no livro TERRA DE CONTADO do Prof. Mestre Paulo Robério F. Silva.

** Mestre em Sociologia, Antropologia e Ciência Política pela PUC Minas; Historiador;

Especialista em História e Cultura Afro-brasileira pela PUC Minas; Gestão Escolar; e Qualidade da Educação Básica pelo EDUCOAS (OEA). Autor dos livros: Manga – encontro com a modernidade e Terra de Contato (no prelo).

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